sexta-feira, 5 de outubro de 2012

LIVRE!

 Acendi velas por todo o quarto, coloquei meu vestido longo mais bonito, me enfeitei de glitter e, ao som de Cícero, me pus a dançar. Sozinha, mas imaginando um mundo inteiro a me observar.
 Girava, rodando a barra do vestido como se com o movimento do tecido colorido pudesse espantar de mim tudo que há de ruim. Todas as lágrimas, todo o lamento, tudo que me afoga. Girava como se nadasse no meu próprio mar e chegasse cada vez mais perto da superfície. Aos poucos, me fiz flutuar, boiar, me libertei e me senti então em meio à estrelas. Estrelas, todas coloridas (das cores da barra da saia, para a qual eu nunca deixava de olhar) e brilhantes, sorrindo pra mim como se eu fosse sua convidada especial.
 Livre! Eu estava livre!

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