terça-feira, 20 de novembro de 2012

 Uma amiga leu o texto do post anterior e me mandou esse poema. Incrível saber que mais alguém pensa como eu.

Ismália
Alphonsus de Guimaraens

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

 E algo interessante que vi em sua biografia: "A morte de sua noiva Constança, em 1888, marcou profundamente sua vida e sua obra, cujos versos, melancólicos e musicais, são repletos de anjos, serafins, cores roxas e virgens mortas.". 

 Esse poema foi incluído no livro “Os cem melhores poemas brasileiros do século”, Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 2001, pág. 45, uma seleção de Ítalo Moriconi.

Um comentário:

  1. Alice! Que delícia ver que você também escreve, cliquei no seu lookbook e ele me trouxe pra cá.
    Gosto muito deste poema também, estou te seguindo aqui para espiar o que mais vem por aí de ti.
    Avante!
    Um beijo, Karine

    ResponderExcluir