sábado, 17 de maio de 2014

do cansaço que é crescer

 domingo é dia de voltar pra casa, trocar os lençóis, baixar os textos da semana e pensar na saudade dos meus pais que acabaram de ir embora
 segunda é dia de ler deleuze e entender menos as máquinas de guerra e ver o professor divagando sobre o nada
 terça é dia de não ler aristóteles e maquiavel
 quarta é dia de socializar e reparar na coluna reta e no penteado bagunçado e elegante da professora mais inteligente do mundo (que ainda por cima entende de moda)
 quinta é dia de ler sobre índios e ouvir as histórias da professora sobre índios
 sexta é dia de ter atividade em grupo na aula e aproveitar pra chegar mais pertinho do amor
 sábado é dia de passar horas no intermunicipal até finalmente voltar pros braços dos meus pais e matar saudade do sofá e da tv a cabo e da geladeira cheia de comida e do wi-fi que funciona de verdade
 domingo é dia de voltar

 e no meio disso

 acabar um tcc
 visualizar as mensagens e não esquecer de responde-las
 organizar uma mudança de apartamento
 ler contratos
 driblar burocracias
 mandar e-mails
 achar o emprego perfeito
 lembrar do dinheiro que sempre falta
 lembrar da conta do banco zerada
 brigar com a menina que não lava a louça
 lavar a louça que a menina não lava
 olhar pro chão sujo do box do banheiro
 olhar pro chão cheio de cabelo da casa inteira
 passar pelos mendigos do brás
 ignorar o cheiro de xixi da cidade
 entrar no metrô onde ninguém mais cabe
 carregar o bilhete do metrô e pensar no dinheiro que sempre falta
 passar pela lanchonete e querer milk-shake de açaí (nunca comprar)
 lembrar de não te esquecer
 e de ser
 feliz

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